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Premio Midia Livre 2009

Portifolio Prêmio 2009

Anexo 2


4) IDENTIFICAÇÃO DA CATEGORIA


4.1) Sua iniciativa de comunicação é destinada apenas ao público local/estadual, ou possui alcance regional/nacional ?


O Estúdio Livre possui alcance nacional e internacional.

5) CONTEXTUALIZAÇÃO DA INICIATIVA DE COMUNICAÇÃO


5.1) Qual título da iniciativa de comunicação?


Estúdio Livre

5.2) Qual o objetivo da iniciativa de comunicação?


O objetivo principal da comunidade Estúdio Livre é pesquisar, documentar, experimentar, produzir e desenvolver mídias livres, além de auxiliar e incentivar a produção e a circulação de bens culturais livres, ou seja, de obras que podem ser distribuídas, remixadas e retransmitidas livremente de forma legal e sem qualquer tipo de restrição ao seu acesso.

A mídia contextualizada através desse ambiente corresponde a meio de comunicação, ou seja, refere-se ao instrumento ou à forma de conteúdo utilizados para a realização do processo comunicacional. Sendo o software um instrumento de interação, que possibilita uma comunicação homem/máquina, também ele é considerado uma mídia.


5.3) Qual o público-alvo da iniciativa de comunicação?


Pessoas que falam português e querem aprender sobre produção de mídias livres com ferramentas livres. Pessoas que falam outras línguas e estão interessadas em traduzir e criar este tipo de documentação. Artistas que querem compartilhar seus trabalhos e adquirir autonomia com o uso de softwares livres. Grupos que querem divulgar suas ações em tempo real através de canais ao vivo de áudio ou de vídeo.

5.4) Quais suportes típicos das comunicações são utilizados na iniciativa?


No ambiente online, através da Internet, onde diferentes opções de interatividade são oferecidas aos/as usuários/as.

No ambiente offline, membros proativos da comunidade promovem e participam de oficinas e eventos que envolvem temas abordados pelo escopo do projeto.

5.5) Quais plataformas da internet são utilizadas na iniciativa de comunicação? Descreva como são utilizadas.


As principais plataformas da internet utilizadas são a lista pública geral de trabalho e o portal colaborativo, que permitem edição de hipertextos em tempo real e download e upload de arquivos com metadados. Nestes ambientes, os/as usuários/as tanto podem apenas buscar informações quanto podem adicionar ou corrigir algum conteúdo incompleto que encontrem em meio a sua pesquisa. Também podem disponibilizar suas produções através do Acervo Livre ou baixar para o seu computador as de outros membros do site. E, dependendo do tipo de licença que estes arquivos possuem, o usuário pode também remixá-los e subir novamente como uma nova versão. Isso só é legalmente possível porque os conteúdos disponibilizados por esse portal estão sob licenças permissivas, que possibilitam os mais diversos tipos de compartilhamento.

A lista pública geral de trabalhos foi o primeiro ambiente virtual de interação da comunidade. É hospedada até este momento pelo servidor do coletivo tech Riseup.net. Apesar de atualmente possuirmos emails e listas de discussão sob o domínio estudiolivre.org, escolhemos continuar com nossa lista principal sob o domínio Riseup.net devido a esta conexão se caracterizar como “nó na rede”, ou seja, um projeto que utiliza recursos do outro e vice-versa - existem pessoas da comunidade Estúdio Livre que também colaboram com projetos do Riseup.net, como, por exemplo, na tradução para português de sua interface web, que é originalmente em inglês.

O sítio do Estúdio Livre foi inicialmente hospedado pelo servidor Utopia, depois pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e atualmente está na Rede Nacional de Pesquisa (RNP) com suporte do Des).(Centro. É programado com software livre e pode ser desenvolvido por qualquer pessoa com conhecimentos técnicos de PHP, MySQL, Smarty e CSS. Utiliza como base o TikiWiki, gestor de conteúdos (CMS) orientado para comunidades e distribuído sob a LGPL. Quem não tem conhecimento de programação também pode contribuir através de bug reports.


5.6) Descreva quais as ações são implementadas para mobilizar a participação do público-alvo na iniciativa de comunicação?


As principais ações de mobilização são as oficinas. A primeira experiência de oficinas ocorreu no V Fórum Social Mundial, em janeiro de 2005, através da participação nas atividades do Laboratório de Conhecimentos Livres, situado no Acampamento da Juventude. E a partir desse mesmo ano, impulsionados pela parceria com o MinC, espalharam-se pelo Brasil os Encontros de Conhecimentos Livres.

Em 2006, uma parceria com o governo da Junta de Extremadura da Espanha permitiu que 7 membros da comunidade viajassem à Europa para trocar conhecimentos com ativistas europeus. Foram realizadas oficinas em Almendralejo e Barcelona, proporcionando um sensível upgrade à evolução do projeto (essa viagem também incentivou a internacionalização do site, que passou a contar com uma interface em diversos idiomas, mas o trabalho de tradução das páginas wiki ainda está apenas no começo).

Apesar das características predominantemente nômades acima descritas, se analisarmos o estúdio livre como um conceito, poderemos encontrá-lo em diversas partes do Brasil, como, por exemplo, em Curitiba (Orquestra Organismo), Rio de Janeiro (Pontão de Cultura Digital Circo Voador) e Recife (Centro de Desenvolvimento de Tecnologias Livres) - ou mesmo no espaço da própria casa de um membro da comunidade.

Membros da comunidade também procuram estar presentes em eventos estratégicos para a divulgação da Mídia Livre, tais como Fóruns de Software Livre, Encontros de Conhecimentos Livres, Fóruns Sociais Mundiais, Teias, Fóruns de Pontos de Cultura, etc.

5.7) Quais são as principais metodologias de mobilização da iniciativa de comunicação?


O Estúdio Livre coloca-se antes de tudo como um ambiente que conta com voluntários da comunidade e que dividem esses interesses para soberania de seus princípios e autonomia de suas propostas. Por outro lado, incentiva a participação de seus membros mais ativos em consultorias e implementações de projetos que precisem desta metodologia de trabalho (a metodologia colaborativa), utilizando como ferramenta o material de documentação e obras do website. E os estímulos à interação no ambiente se apresentam através de oficinas, midialabs, acervos livres, manuais para usuários, fóruns, weblogs pessoais, grupos de pesquisa, discussões em lista e outras ferramentas de trabalho colaborativo diferenciado.


ANEXO 3


1) IDENTIFICAÇÃO

1.1)Título da iniciativa de comunicação compartilhada e participativa:


Estúdio Livre

1.2) Nome da Instituição proponente:


PSL-PR - Programa Software Livre Paraná

1.3) Nome do Ponto de Cultura:


O Estúdio Livre foi selecionado, mas não foi conveniado como um Ponto de Cultura. No entanto, serve aos Pontos de Cultura como um todo.

2) DESCRIÇÃO DA INICIATIVA

2.1) PROPOSTA EDITORIAL

2.1.1) Qual a proposta editorial? Descreva.


O escopo de atuação do Estúdio Livre concentra-se no fomento à aproximação dos ciclos de desenvolvimento e utilização da mídia software livre para a produção de outros tipos de mídia e no incentivo ao compartilhamento e colaboração nessa produção.

2.1.2) Quais são as temáticas mais recorrentes? Descreva.


Pesquisa e aprofundamento no uso e desenvolvimento de mídias livres através de tutoriais, manuais, guias passo-a-passo (how-to), descrição de ferramentas, conceitos de software livre, conhecimento livre e apropriação tecnológica.


2.1.3) Qual a dinâmica de gestão, produção e difusão da iniciativa? Descreva.


A maneira como o software livre é produzido é sem dúvida um dos mais bem sucedidos modelos de gestão orgânica e participativa de um trabalho coletivo já conhecido. A idéia de produzir colaborativamente, usando interfaces na internet que permitem edição de código, verificação de diferenças entre versões, fóruns de discussão e listas de emails, fomentou a construção de sistemas que hoje chegam a ser tão competentes para certos nichos de aplicação que superam as aplicações proprietárias, como no caso de servidores web. Isso acontece porque o diálogo entre as partes também é aberto, e fica mais direto e inteligente resolver problemas e implementar inovações do que de maneira fechada, em que as partes se isolam do todo, envoltas em segredos.

Essa visão influenciou muito a maneira de ver a produção artística neste início de século (Lessig 2005). Ficou explícita a situação de que a produção artística poderia chegar diretamente ao seu público, sem intermediários, e atingir diretamente os/as interessados/as, sem precisar moldar-se a exigências estéticas e mercadológicas de seus distribuidores/as (muitas vezes suposições retrógradas, que atrapalham a criatividade), compreendendo melhor seu campo de ação de maneira mais orgânica. Por outro lado, isso gerou a necessidade de rever a questão de como fica o reconhecimento e a remuneração dessa autoria, pois, potencialmente, todo consumidor pode ser um distribuidor ou mesmo um colaborador nessa produção.

Uma das soluções propostas e incentivadas pelo Estúdio Livre é o fomento à produção colaborativa, através do uso de licenças de compartilhamento. Assim como o desenvolvedor de software livre compartilha seu código utilizando licenças como a GPL, o/a produtor/a cultural, através de licenças como as CC, dá o direito prévio ao público de redistribuir sua obra, cobrando ou não por isso, tornando-se parceiro de sua produção criativa. Desse modo, cria-se uma relação na qual consumo e produção são partes de um mesmo ciclo, em que o grande lucro é o conhecimento adquirido e o estabelecimento de redes sociais que, por sua vez, cedo ou tarde, serão parceiras em iniciativas para uma sustentabilidade mútua, criando uma cadeia de fluxo dessa produção, que quebra barreiras culturais e geopolíticas, possibilitando nichos autônomos muito mais auto-referentes e conscientes de suas direções e mais aptos a refletir sua influência socioeconômica e o papel de sua produção.


2.1.4) Por que o material produzido é relevante para o público a que se destina? Descreva.


A utilização de licenças que permitem o compartilhamento e a reutilização de códigos é potencialmente um grande trunfo para a sustentabilidade de uma comunidade mais interdisciplinar, que aproxima arte e ciência, como é a do Estúdio Livre. Estimulando esse modelo de produção fomenta-se um espaço no qual a ciência pode operar com mais inovação, e a arte trabalhar com mais envolvimento no aperfeiçoamento das técnicas.

Um dos grandes problemas da desumanização das tecnologias está no fato do não-questionamento dos mecanismos de repetição embutidos nas interfaces dos softwares industriais. O computador é, na maioria dos casos, visto pelo artista como uma caixa fechada que acaba ditando caminhos estéticos vinculados a padrões de interfaces e amarrando o produtor cultural a uma dependência cega de novos produtos e formatos que essa indústria lança.

No caso do software livre, a produção segue um ritmo de demanda e colaboração mútua em que o/a desenvolvedor/a tem um feedback imediato do/a artista e este/a pode ter um conhecimento mais avançado sobre o desenvolvimento de suas ferramentas de trabalho, já que a produção destas não fica eternamente dentro do ciclo dos segredos industriais. Nesse caso, o conhecimento mais profundo para um método próprio de utilização da tecnologia é conseqüentemente estimulado, e o potencial de customização de seus processos de produção torna-se muito maior, trazendo, inclusive, um maior interesse pela ciência e pelos métodos que tornam isso possível.

Já o/a cientista encontra nesse ambiente um incentivo muito grande para sua criatividade e uma quebra de distâncias entre sua técnica e a do artista, trazendo a visão de que produzir um código, projetar uma interface ou máquina pode ser uma técnica carregada de intenção comunicativa e tão lúdica quanto pinceladas em um quadro ou dedilhadas em um violão. Estimula-se uma visão muito menos tecnicista de seu trabalho, trazendo à tona novamente a figura do/a inventor/a, jogando a luz da poesia sobre suas criações.


2.1.5) Qual é o perfil da equipe? Descreva.


A equipe que atualmente é responsável pela administração do ambiente online do Estúdio Livre tem perfil híbrido e multidisciplinar. É composta principalmente por midiativistas, pesquisadores, desenvolvedores de software, educadores, cientistas da computação, comunicólogos, músicos, cineastas, webdesigners, tradutores e articuladores.


2.2) QUALIDADE ESTÉTICA


2.2.1) Descreva a proposta de linguagem e conceitos estéticos desenvolvidos na sua iniciativa? Qual a relação entre sua estética e seu público? Descreva.


O Estúdio Livre é feito de pessoas!

A interface web é centrada no usuário, ou seja, na qual a experiência do/a usuário/a no site esteja sempre relacionada com a sua identidade. Isso é dizer: há um certo grau de 'customização' (que dever chegar ao máximo possível em próximos releases) para que o usuário/a tenha, associado/a ao seu username/login, suas preferências sempre mantidas. Esse objetivo deve ser analisado através da 'caixa de usuári@' e da 'página d@ usuári@'.

Atualmente temos 4 estilos ativos que podem ser escolhidos: bolha (padrão), geral, obscur e original. E o tema que fica padrão é elegido pela comunidade. Mas a arquitetura de informação permanece a mesma para todos os estilos.

A interface presencial tem a mesma dinâmica e adapta-se ao local onde acontecem as oficinas, encontros, seminários etc. sob o conceito do faça-você-mesm@.


2.2.2) Qual é a principal mídia utilizada na sua iniciativa? Descreva.


O principal meio utilizado pelo Estúdio Livre é a Internet. Os diálogos acontecem principalmente através da lista pública geral de trabalho e as publicações através do portal colaborativo estudiolivre.org.

2.3) GRAU DE INTERATIVIDADE


2.3.1) Como o público interage com o material produzido? Há espaços específicos destinados para essa participação? Descreva.


Tanto virtualmente quanto presencialmente, as atividades e o envolvimento das pessoas se dá da forma mais livre possível. Não há espaço específico para participar, todos os espaços disponibilizados permitem interação. O limite é dado apenas por algumas páginas-chave, tais como a home e os destaques do acervo, que são travadas por questões de segurança, e também por alguma restrição feita por algum usuários/as ao uso de suas produções, tais como uso comercial ou remix.

2.3.2) Há espaço para publicação de material produzido pelo público da sua iniciativa? Quais as ferramentas utilizadas e como estas facilitam a interação com o público da sua iniciativa? Descreva.


Sim, há espaço, e esta é a essência do Estúdio Livre. O ambiente web utiliza como base o TikiWiki, gestor de conteúdos (CMS) orientado para comunidades e distribuído sob LGPL (GNU Lesser General Public License). Pode ser desenvolvido por qualquer pessoa com conhecimentos técnicos de PHP, MySQL, Smarty e CSS.


2.4) TIRAGEM/AUDIÊNCIA


2.4.1) Qual o público alcançado? Descreva e quantifique.


O portal estudiolivre.org teve, no ano de 2008, um total de 791.929 visitantes únicos, e uma média de 94.400 visitas mensais. Mais estatísticas de acesso podem ser encontradas através do link http://stats.estudiolivre.org

Além disso, o portal possui até o momento 10.530 usuári@s registrad@s, isto é, pessoas que além de acessarem, também interagem através da publicação de obras no acervo, jardinagem no wiki, elaboração de tutoriais de softwares, confecção de páginas pessoais etc.

2.4.2) Qual a abrangência da sua a iniciativa (local/estadual ou regional/nacional)? Descreva.


A iniciativa é nacional e internacional. No nível nacional, abrange principalmente um público carente de informações sobre produção de mídia livre em língua portuguesa. E no nível internacional, interage com uma rede maior que auxilia a mídia livre a evoluir.


2.5) REPERCUSSÃO


2.5.1) Estime a repercussão da sua iniciativa.


O ambiente online do Estúdio Livre atualmente é considerado uma das maiores referências brasileiras e em língua portuguesa sobre documentação de produção e distribuição de mídias livres. Portanto, nossa repercussão tem sido muito alta. Só a indexação do site estudiolivre.org na web traz aproximadamente 132.000 resultados de busca, enquanto a palavra "Estúdio Livre" traz aproximadamente 112.000 resultados.

Os convites feitos para que a comunidade participe de eventos e projetos relativos ao tema de mídia livre e a geralmente boa reputação conferida a quem associa seu nome a esta comunidade também confirmam esta alta repercussão.


2.6) REGULARIDADE


2.6.1) Qual a periodicidade das publicações? Já teve interrupções? Descreva.


Não há periodicidade nas publicações. Por serem produzidas colaborativamente por muitas pessoas (é só se registrar pra publicar), elas são contínuas, e não periódicas. As interrupções ocorrem quando eventualmente temos problemas com nosso servidor, que já está em seu limite. Este prêmio viria justamente para ajudar-nos a manter um acesso estável a todas estas publicações.


2.6.2) Desde quando sua iniciativa existe?


Embora o processo tenha iniciado muito antes, as pessoas interessadas em pesquisa, documentação, experimentação, produção e difusão de mídias livres reuniram-se pela primeira vez sob o nome Estúdio Livre em novembro de 2004 através da lista de articulação nacional da iniciativa, a partir de onde todo o processo foi reapropriado. O que antes era para tornar-se uma associação sem fins lucrativos ou um ponto de cultura, passou a se configurar mais como uma comunidade, uma rede, aumentando assim o seu escopo de atuação e sua autonomia. As associações então passaram a ser parceiras da iniciativa, assim como os pontos de cultura.

O portal estudiolivre.org iniciou suas atividades em Janeiro de 2005 e o primeiro encontro e as primeiras atividades presenciais aconteceram durante o mesmo período no Fórum Social Mundial de 2005.

2.6.3) Qual é a atual forma de sustentabilidade da sua iniciativa?


Atualmente, os custos de manutenção do projeto têm uma parte mantida voluntariamente pela própria comunidade e outra parte pelos seus parceiros: o Programa Software Livre Paraná (PSL-PR), o setor de Cultura Digital do Ministério da Cultura Brasileiro (MinC) e o Des).(centro - Nó Emergente de Ações Colaborativas. O PSL-PR foi berço do projeto e administra alguns serviços da rede, enquanto o MinC mantém a conexão com a RNP e o Des).(centro fornece suporte ao servidor principal.

O Estúdio Livre aceita doações voluntárias e parcerias com instituições, governos e empresas que estejam utilizando seu material ou desejem incentivar produções específicas na comunidade (documentação de algum software, compilação de documentações, customizações ou produção multimídia), desde que os objetivos dessa parceria sejam coerentes com os do projeto, e que o doador ou parceiro em questão não represente algo oposto ao ativismo exercido pela comunidade mantenedora.


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