Mídia Livre

Conceituar o que é mídia livre, apesar de ser a principal matéria-prima com que trabalhamos desde o início de nossas atividades, é algo muito difícil. Primeiro porque o próprio conceito de mídia é extremamente plural, e segundo porque é também um assunto bastante polêmico.

Portanto, gostaríamos de deixar claro que o que descrevemos abaixo não é, absolutamente, uma palavra final sobre o conceito, mas sim a visão que esta rede (de estúdios livres) tem sobre o uso deste verbete em seus discursos.


hardwares e softwares como mídia

Em encontros e oficinas de conhecimentos livres e cultura digital, costuma-se definir logo no início, para quebrar o gelo, que hardware é aquilo que você chuta, e software é aquilo que você xinga. Portanto, desde o início estimula-se a interação com a máquina, seja ela de que jeito for.

O hardware fornece a comunicação física, enquanto o software fornece a comunicação lógica. São, portanto, meios de comunicação, e reforçam a hipótese de McLuhan (1967) de que o meio é a mensagem. Ou seja, hardwares e softwares são também um tipo de mídia.

hardwares livres


Hardware livre (em inglês, Open source hardware) é um hardware eletrônico projetado e oferecido da mesma maneira que um software de código livre. O termo foi primeiramente empregado para refletir o lançamento irrestrito de informação sobre o projeto de hardware, tal como um diagrama, estrutura de produtos e dados de layout de uma placa de circuito impresso.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hardware_livre

O Hardware Livre apresenta-se como um meio de distribuição de projetos de hardware de forma aberta assim como o movimento Software Livre trabalha com programas e códigos. O termo expressa que o projeto de hardware é aberto, logo pode ser replicado, sendo possível encontrar disponível desde o design do circuito aos drivers para comunicação com o mesmo. Um grande exemplo deste tipo de tecnologia é o Arduino, uma plataforma de prototipagem eletrônica que faz uso de um microcontrolador disposto para facilitar a interação de objetos e ambientes.
http://ccsl.ime.usp.br/pt-br/news/14/02/21/nao-sabe-o-que-e-hardware-livre-venha-descobrir-no-ccsl


softwares livres

Software livre é um programa de computador que possui no mínimo 4 liberdades: a de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade no. 0), a liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade no. 1), a liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade no. 2), e a liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade no. 3).

Também são conhecidos como "software de código aberto" pela possibilidade de alteração e desenvolvimento de seu código fonte (pré-requisitos de 2 liberdades) pel* usuári*, em oposição ao "software de código fechado", ou ainda "software proprietário", como são conhecidos os softwares que não são livres.

formatos livres

Tendo como pressuposto que uma mídia realmente livre utiliza arquivos e suportes livres (documentos eletrônicos, vídeos digitais, assim como discos compactos, DVDs, etc.) para propagar conteúdo, descreve-se a seguir o que se consideram formatos livres.

São arquivos e suportes de mídias livres que incorporam as 4 liberdades estabelecidas em softwares livres. No entanto, neste caso, é importante que fique claro que são liberdades relativas ao tipo de arquivo, e não aos conteúdos inseridos nos mesmos.

Estas liberdades na prática significam que o suporte que se usa para propagar um conteúdo faz diferença na liberdade de expressão deste mesmo conteúdo. Por exemplo, um arquivo salvo no formato .doc não tem a mesma liberdade que um arquivo no formato .odt. Um arquivo distribuído em formato não-livre como o .doc possui seu código fechado, o que implica em um ruído na comunicação do mesmo, traduzido em informações e restrições impostas pelo fabricante. Esta característica fica ainda mais visível quando aplicadas através de DRM (Digital Rights Management ou Gestão de Direitos Digitais), que são restrições que vão além dos formatos e contaminam o hardware que reproduzirá o conteúdo.

Formatos não-livres, também chamados de proprietários, são patenteados por pessoas ou empresas que restringem acesso ao seu código e às suas especificações. Por conta de estratégias de mercado, tornaram-se padrão em muitos ambientes. Por isso é muito importante para o movimento de mídia livre que o monopólio dos formatos proprietários seja diluído através do uso cada vez maior de formatos livres.

Exemplos de formatos livres:

Texto:

  • Arquivo de texto comum (.txt)
  • Portable Document Format (.pdf)
  • Open Document Formats
    • .odt para documentos de texto
    • .ods para planilhas eletrônicas
    • .odp para apresentações eletrônicas de slides
    • .odg para imagens vetoriais
    • .odf para equações

Áudio:

  • Vorbis (.ogg)
  • Free Lossless Audio Codec (.flac)

Vídeo:

  • Theora (.ogg, ogv)
  • Matroska (.mkv)

Gráfico:

  • eXperimental Computing Facility (.xcf)
  • Scalable Vector Graphics (.svg)
  • Portable Network Graphics (.png)

rádios livres


(trazer pra cah o conceito que estah na rede radiolivre.org)

teles livres


(compilação em andamento)

mídias livres

Tendo em vista as descrições acima, que contextualizam um ambiente de criação livre, conclui-se que mídias, em estúdios livres, são principalmente hardwares, softwares, formatos, rádios e teles livres que produzem e divulgam bens culturais livres.

Mas mídias livres são muito mais do que isso. Segundo os fundamentos que originaram esta rede, são também mídias cuja pauta não é o lucro, cuja organização não é hierárquica e cuja participação é aberta a qualquer pessoa que respeite seus princípios.


referências:

http://www.gnu.org
http://wikipedia.org
http://radiolivre.org
http://metareciclagem.org
http://www.midiatatica.info
http://midiaindependente.org
http://midialivre.wordpress.com
http://www.forumdemidialivre.org
http://submidialogia.descentro.org


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